segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bolívia, sua escassez.


Resumo
Desde a adoção da dimensão ambiental no conceito de segurança, estudiosos vêm chamando
a atenção para uma futura escassez de água e sua ligação a conflitos violentos. Nessa discussão, a
geopolítica pós-moderna tem apresentado grande contribuição ao assunto. Enquanto grade analítica
da estratégia territorial de diversos atores em diferentes escalas, a geopolítica possibilita a
compreensão de que as tensões relacionadas a recursos naturais em um dado território são travadas
não apenas entre os estados, mas também entre movimentos sociais, empresas transnacionais,
governo local entre outros atores. Nessa linha de pensamento, lançou-se o conceito de geopolítica da
água, no qual foram ressaltados também os conflitos intra-nacionais. Levando-se em conta esta
última situação, o movimento alter-mundialista, vem chamando a atenção para a atuação das
empresas transnacionais em relação ao controle e à distribuição dos recursos hídricos em escala
global. Nesse sentido, o conflito relacionado aos recursos hídricos em Cochabamba, durante o ano
de 2000, se tornou um ícone do discurso anti-globalização não apenas sul-americano, mas mundial.
Desde então, vários artigos publicados têm caracterizado a Guerra da Água na Bolívia enquanto luta
da sociedade civil local contra o consórcio multinacional “Aguas del Tunari”. Porém, várias outras
relações de poder estão relacionadas com o acesso aos recursos hídricos em Cochabamba. O
estudo visa desconstruir o argumento de que a Guerra da Água em Cochabamba-Bolívia estaria
apenas relacionada ao confronto entre sociedade civil local e o consorcio multinacional Aguas Del
Tunari, através de uma análise, em longo prazo, das tensões relacionadas aos recursos hídricos.

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